Boas notícias

... e eles serão chamados carvalhos de justiça, plantações do Senhor, para manifestação da Sua glória ...reconstruirão as velhas ruínas e restaurarão os antigos escombros; renovarão as cidades arruinadas que têm sido devastadas de geração em geração. (Isaías 61)

domingo, 31 de julho de 2011

A ressurreição do corpo

O Senhor Jesus Cristo... transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao seu corpo glorioso.
Filipenses 3.20-21

A vitória de Cristo sobre a morte indica ainda a natureza da ressurreição. Primeiramente, o Senhor ressurreto não foi um cadáver trazido de volta à vida. Não cremos que nossos corpos serão milagrosamente reconstituídos das partículas da matéria que os compõe hoje. Jesus realizou três ressurreições durante o seu ministério — a do filho da viúva de Naim, a da filha de Jairo e a de Lázaro. É compreensível a simpatia que C. S. Lewis expressou por Lázaro: “Ser trazido de volta e ter de passar pela morte de novo foi bastante difícil”. A ressurreição de Jesus, no entanto, não foi uma ressuscitação. Ele foi promovido a um novo plano de existência no qual ele não era mais mortal, mas “vivo para todo o sempre” (Ap 1.18).

Segundo, nossa esperança cristã de ressurreição não é simplesmente na sobrevivência da alma. O próprio Jesus disse após sua ressurreição: “Sou eu mesmo! Toquem-me e vejam; um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho” (Lc 24.39). Logo, o Senhor ressurreto não era nem um cadáver reanimado, nem um fantasma. Ele foi ressuscitado dentre os mortos e ao mesmo tempo transformado em um novo veículo para a sua personalidade. Além disso, nosso corpo ressuscitado será como o de Jesus, que foi uma extraordinária combinação de continuidade e descontinuidade. Por um lado, havia uma clara relação entre seus dois corpos. As cicatrizes ainda estavam em suas mãos, seus pés e seu lado, e Maria Madalena reconheceu sua voz. Por outro lado, seu corpo atravessou as vestes no túmulo, a pedra selada e portas trancadas, deixando claro que tinha novos e inimagináveis poderes.

O apóstolo Paulo ilustrou essa combinação a partir da relação entre sementes e flores. A continuidade assegura que cada semente produza sua própria flor. A descontinuidade, no entanto, é mais importante, uma vez que a partir de uma pequena semente comum e até mesmo feia brotará uma flor perfumada, colorida e graciosa. “Assim será com a ressurreição dos mortos” (1Co 15.42). Para resumir, aguardamos ansiosamente não por uma ressuscitação (na qual seríamos ressuscitados, mas não transformados), nem por uma sobrevivência (na qual seríamos transformados em um fantasma, mas não ressuscitados corporalmente), mas por uma ressurreição (na qual seremos erguidos e transformados, transfigurados e glorificados simultaneamente).

Leitura recomendada
1 Coríntios 15.35-38

[Texto retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo, da Editora Ultimato]

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John Stott, conhecido no mundo inteiro como teólogo, escritor e evangelista,escreveu mais de quarenta livros, incluindo A Missão Cristã no Mundo ModernoA Bíblia Toda, o Ano TodoPor Que Sou CristãoO discípulo radical e o campeão de vendas, Cristianismo Básico. Ele faleceu nesta quarta-feira, 27 de julho. Foi pastor emérito da All Souls Church, em Londres, e fundador do London Institute for Contemporary Christianity. Foi indicado pela revista Time como uma das cem personalidades mais influentes do mundo.
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domingo, 17 de julho de 2011

A ÉTICA E A IGREJA

"Vós não sabeis de que espírito sois" disse Jesus em Lucas 9.55 aos irmãos Tiago e João, que, quando perceberam que uma aldeia de Samaria se recusava a permitir a passagem de Jesus, perguntaram-lhe se gostaria que pedissem ao Pai que mandasse fogo do céu para destruir aquela vila. Jesus explicou que o filho do homem não veio para destruir o alma dos homens, mas para salvá-los. Jesus estava ensinando ética para os seus discípulos. O que eles sugeriram não combinava com caráter da obra, da pessoa e da natureza de Cristo. Ética é isso, a coerência entre meio e o fim. 

Sei que há muitas outras definições possíveis, mas, ficarei com esta, que aponta para a finalidade e a natureza como norte. O meio pode ser um pensamento, uma motivação, uma atitude, um ato, etc.. Tiago e João faltaram com a ética porque não entenderam quem eram, portanto, não sabiam como se portar. Porque quem não sabe quem é e para o que existe, não sabe o que pensar, que motivação deve ter ou aceitar, que atitude deve acalentar, que ação deve tomar. Jesus, ao contrário desses discípulos, sabia quem era, se chamou de o filho do homem, sabia que era o grande representante da humanidade, o modelo de gente e o único caminho para a nossa salvação. Jesus sabia, assim, exatamente, como deveria se portar em todos os sentidos.

Para falar sobre a relação entre a igreja e a ética, temos de em entender o que é a que igreja. A igreja é a comunhão dos seres humanos que receberam a mesma revelação que Pedro e que, portanto, adora a Jesus. A revelação que Pedro recebeu foi de que Cristo é o filho do Deus vivo, portanto, é Deus, e Deus a gente adora. Adorar a Cristo é proclamá-lo, ele, a encarnação da virtude de Deus e imitar a Jesus de Nazaré. Porque o João disse que quem diz estar nele deve andar como ele andou e Paulo disse de si mesmo que ele era um imitador de Cristo, e que nós deveríamos seguir seu exemplo, disse, também, que vivia para anunciá-lo. Assim, a igreja é a comunhão de pessoas que, individual e comunitariamente, no poder do Espírito, imitam e anunciam a Jesus de Nazaré, o Cristo, no seu dia-a-dia, em tudo o que fazem. O Cristo que a gente imita é o Cristo que habitou entre nós. Porque Paulo disse que a gente devia contemplar a glória do senhor e não o senhor da glória; e a glória do senhor é Jesus de Nazaré, o Cristo, fazendo da vontade e comunhão com Deus a sua comida e bebida, e andando por todos os lugares fazendo o bem para todas as pessoas. Também, temos de lembrar que, quando João estava nas regiões celestes chorando porque não havia quem pudesse tomar o livro da mão daquele que estava sentado no trono, um ancião apontou para ele o leão da tribo de Judá, porém, tudo o que ele conseguiu ver foi o Cordeiro que foi morto. O céu pode falar do leão, porém, a gente só vê o cordeiro, se temos de imitar alguém, só podemos fazer isso em relação a alguém que a gente pode observar, e a gente vê o cordeiro, portanto, só dá para imitar o cordeiro. A espiritualidade cristã não é a do leão mas, a do cordeiro. Isso deveria influenciar a nossa liturgia, de modo que tanto as nossas músicas como os demais movimentos litúrgicos deveriam nos mostrar o cordeiro, que foi morto e que ressuscitou ao terceiro dia, em sua devoção ao Pai e serviço aos homens.

A igreja também é um homem coletivo, Paulo disse que Jesus Cristo criou, nele mesmo, um Novo Homem, esse novo homem é fruto da reconciliação entre judeus e gentios. Recordemos que, para a mentalidade judaica, o mundo estava dividido em dois grupos, judeus e gentios. O que os separava era a compreensão e o relacionamento com Deus, os judeus sabiam de tudo sobre Deus e com ele tinham comunhão, os gentios, por sua vez, não tinham nada, estavam sem Deus no mundo e, portanto, sem senso de finalidade e sem esperança. Jesus Cristo ao apresentar-se a ambos como a única possibilidade de realmente se ter acesso às promessas de Deus, colocou-os numa mesma base, acabou a briga, tanto um quanto o outro precisam de Cristo para ter Deus. A medida que judeus e gentios vão admitindo isso, e se rendendo a Jesus, passam a formar a nova humanidade, porém, com uma diferença significativa em relação a anterior, são habitação do mesmo Espírito e passam a se amar tanto que se essa unidade, o homem coletivo, fruto desse Espírito, aparece. E a imagem e semelhança da Trindade é plenamente manifestada. Então, viver a Igreja é fomentar o surgimento dessa comunidade que manifesta essa unidade. Isso, também, deveria dar o tom de nossa liturgia; vocês já se deram conta de quantas músicas nós cantamos enfatizando a primeira pessoa do singular, eu, eu, eu... onde está o nós, quando vamos aprender a nos ver a partir da comunidade? E tem mais, a igreja também está identificada com o Reino de Deus. Em Daniel o Reino é um domínio exercido por um povo que nunca o perderá; em Apocalipse é um povo de sacerdotes que reinará sobre a terra; em João Batista o Reino exige que as pessoas se arrependam, o que vai desembocar na prática da solidariedade; na fala de Jesus, que confirma João, o Reino é um sistema onde o poder é o serviço; é um lugar que só pode ser visto do lado de dentro, pois, tanto para ver como para entrar a pessoa tem de nascer de novo, logo, só vê se entrar, então, quem viu, viu do lado de dentro; e é tão exclusivista que só pode participar dele quem rompeu com tudo para viver apenas por ele; é um lugar onde só a vontade de Deus é feita; é uma realidade a ser vivida e a ser aguardada, assim como, uma mensagem a ser anunciada prioritariamente aos pobres. Na fala de Paulo, o Reino é um estado de alegria, paz e justiça, onde o trabalhador é o primeiro a desfrutar de seu trabalho; onde quem colheu de mais não tem sobrando e quem colheu de menos não passa necessidade, e todos trabalham para acudir ao necessitado. A Igreja é o povo do Reino, que o vive e o sinaliza. Ser ético, então, para a Igreja, é ser coerente na história, em meio a sociedade, com a complexidade de sua natureza e finalidade. Em que músicas, leituras e orações, mesmo, nosso compromisso como povo do reino aparece? A ética começa na liturgia, na forma como nós apresentamos o nosso culto a Deus.

A gente é ético no contexto onde a gente vive. O nosso contexto é o Brasil, país de contrastes perversos: uma das maiores economias e um dos piores índices de distribuição dessa riqueza; uma tecnologia desenvolvida ao lado dos piores índices de alfabetização e de aquisição de cultura; uma das arquiteturas mais reconhecidas e respeitadas ao lado de um dos maiores de índices de déficit habitacional e de submoradias; um dos maiores territórios do planeta, com terras das mais férteis ao lado dos piores índices de distribuição de terra; uma das mais eficazes agriculturas ao lado da fome e da subnutrição; uma medicina das mais desenvolvidas ao lado de índices estarrecedores de mortalidade infantil; uma das legislações mais avançadas na área dos direitos humanos ao lado de graves índices de violência contra a mulher, abuso de crianças e adolescentes e prática de tortura; um dos códigos penais de maior senso humanitário ao lado de um dos sistemas carcerários mais aviltantes e degradados; uma das democracias raciais mais celebradas ao lado de um racismo pérfido, pois, sutil, não confessado e disfarçado de problema sócio-econômico, onde o negro, cantado em prosa e verso, não consegue ser cidadão e está condenado à pobreza e a ignorância; uma das constituições mais avançadas ao lado dos piores e mais corruptos políticos encontrados numa nação classificada entre as modernas; um dos sistemas de votação mais avançados ao lado de um processo eleitoral marcado pela preponderância do poder econômico e por vícios que perpetuam no poder uma casta de caudilhos, sistema onde se tem a obrigação do voto mas não se tem o direito de veto, onde o eleito pelo povo transforma o mandato em patrimônio pessoal e fonte de riqueza; uma cultura marcada pela criatividade ao lado de um mercado cultural colonizado e emprobecedor; um dos povos que mais confessam a existência de Deus ao lado de uma vergonhosa manipulação religiosa e de arraigadas práticas de superstição, que o tornam prisioneiro de forças malignas.

O que significa agir de forma coerente a nossa natureza e finalidade num contexto desse? Vou tentar responder a essa pergunta apresentando, salvo melhor juízo, algumas posturas. A face mais visível e, aparentemente, a que mais cresce da igreja brasileira ao invés de denunciar a injustiça social e propor e viver uma economia solidária, passou a pregar uma teologia que sustentava a desigualdade ao afirmar que a riqueza deveria ser o alvo do crente, e que o caminho é a fé atestada pelo nível de contribuição e pela capacidade de arbitrar, por decreto, sobre o que Deus deve fazer; ao invés de denunciar a miséria e a dívida do estado para com os excluídos passou a denunciar a provável pequena fé dos desgraçados; ao invés de socorrer aos enfermos, enquanto denunciava o descaso, começou a apregoar uma cura instantânea para aqueles que, com um certo tipo de fé, freqüentarem o ministério certo; ao invés de combater o racismo passou a estigmatizar como maligna tudo o que se relaciona com a cultura negra, como se o demônio fosse nego e, portanto, tudo o que é negro fosse demônio; ao invés de denunciar a corrupção passou a fazer negociatas com sórdidos representantes da camarilha que mantém o país no subdesenvolvimento, assim como, a participar, sem restrições, do jogo político, cassando o direito político de suas ovelhas pelo constrangimento para que votem nos candidatos escolhidos pelos líderes; líderes que ao invés de praticarem o serviço para que se forme uma comunidade, tornaram-se caudilhos que se locupletam às custas da boa fé de gente quer apenas queria Deus, e que se escondem em títulos pomposos enquanto transformam a igreja numa cultura de massas fácil de manobrar; ao invés de pregar a graça que foi de modo abundante derramada através de Cristo Jesus, passou a demandar sacrifícios acompanhados de doações cada vez mais constrangidas, para que o fiel se tornasse apto para receber a bênção desejada; ao invés de promover a mansa espiritualidade do cordeiro, promoveram a esquizofrênica espiritualidade do leão, que tenta transformar em “já” o “ainda não” do reino, enquanto transforma o “já” do reino em “nunca”; ao invés de viver, sinalizar e anunciar o reino, passaram a caçar os principados e potestades nas regiões celestiais, ora localizando e derrubando os seus postes ídolos, ora ungindo de alguma forma criativa a cidade, inaugurando o que James Houston chamou de evangelização cósmica; ao invés de fomentar o surgimento da comunidade do Reino importou modelos de agrupamento que aumentam a produtividade da igreja na promoção do crescimento numérico, que passou a ser aval de benção divina; ao invés de pregar e praticar a vitória de Cristo na cruz e na ressurreição sobre todos os agentes do mal, passou, de um lado, a pregar uma teologia que mais infundia medo do que fé, e, de outro lado, a, segundo, o articulista Ricardo Machado, umbandizar as igrejas.

É claro que tivemos problemas éticos em outros segmentos de igreja, sim, porque Igreja Brasileira é uma categoria ideológica evocada nas generalizações, o que existe, de fato, é uma gama de Igrejas no Brasil, não estou falando das divisões denominacionais, que, aliás estão desfiguradas, mas, dos vários jeitos de ser igreja, que acabam, por se constituir em segmentos estanques entre si. Houve segmento que, diante dessa realidade cruel recrudesceu o fundamentalismo legalista e alienado, outro houve que assumiu a igreja como uma empresa, sonhando também com impérios, e passou a importar modelos de gerenciamento que a organizasse, desenvolvesse excelência ministerial e produzisse crescimento, usando, muitas vezes, o princípio do “apartheid”, e as ovelhas foram feitas mão de obra e os pastores foram feitos gerentes de programa. O segmento da missão integral, em boa parte, migrou para a teologia urbana, sob, infelizmente, muita influencia de pensadores do primeiro mundo, ótimos, mas, que enfrentam uma cidade secularizada, problema que, ainda, não temos, uma vez que nossas cidades estão muito mais para um grande “shopping” religioso do que para o secularismo que o primeiro mundo enfrenta, essa opção colocou-nos sob o risco de perder a visão do macro, além disso, de alguma forma, em relação à “missão integral”, paramos de pensar, por isso a “missão integral” não se tornou uma teologia, continuou a ser, como diz Ziel Machado, uma resposta, que, ano após ano, continua a repetir que para evangelizar é preciso considerar o contexto sócio-político-econômico-cultural daquele que se vai evangelizar, e que missão integral é o evangelho todo para o homem todo para todos os povos; é preciso que descrevamos mais este evangelho, este ser humano, este contexto e as novas realidades que se impõem ao labor missionário, porém, nem sequer, ainda, trabalhamos na frase para contemplar o corte de gênero, de modo a não discriminar o sexo feminino; também, pudera, depois de 1994, quando, no congresso da AEvB, nos dividimos, só voltamos a nos encontrar, alguns de nós, no final dos anos 90, em Curitiba, sob convite do Osmar Ludovico para um tempo de oração, que acabou por gerar uma carta comum, que, segundo testemunhos, produziu algo na direção da prática da missão integral. Nesse tempo todo continuamos a falar em “missão integral”, mas, os livros de Rene Padilla, Samuel Escobar, Pedro Arana, Orlando Costas, Viv Grigg, entre outros não estão mais entre nós, ou porque há muito esgotaram ou por nem terem sidos impressos em português, e mesmo autores brasileiros desapareceram ou ficaram muito tempo fora das prateleiras das livrarias. A série Lausanne está sendo retomada, e como é bem vinda! Mas temos de ir mais longe, temos o desafio de transformar essa resposta numa teologia, porque é com teologia que se edifica igreja.

Bem, certamente, nenhum segmento conseguiria total coerência, logo, não precisamos entrar em desespero, pois, a crise na fé cristã não é o pecar é o não se arrepender.

E tem o outro lado, Jesus Cristo não diz apenas: “vós não sabeis de que espírito sois”, diz, também: “vinde benditos de meu pai”. Nos vários segmentos da igreja, com maior ou menor informação sobre essa proposta veiculada a partir do congresso de evangelização realizado em Lausanne em 1974, a resposta apareceu, pipocaram programas de ação social, creches, distribuição de cestas básicas, distribuição de alimentos para moradores de rua, entre outros. Os programas começaram assistencialistas, mas, pouco a pouco, foram se tornando mais voltados para soluções estruturais. Milhares de ONGs foram criadas com as mais diferentes finalidades de cunho social: escolas, casas-lar, programas de desenvolvimento comunitário, programas de alfabetização, e muito mais. Um leve mas decisivo movimento do Espírito tem se feito sentir cada vez mais, o interesse de grupos dos vários segmentos em se ajuntarem numa frente evangélica pela inclusão social (explicar); a recente criação da “RENAS”, rede evangélica de ação social, formada pela participação de várias dessas mencionadas ONGs, com o objetivo de serem ainda mais relevantes para os pobres; a ressurreição da AEvB e da FTL Brasil; o crescente interesse dos jovens, pastores e leigos, no significado dessa resposta; a retomada da questão da espiritualidade, que parte do segmento da missão integral começou, nos fazendo revisitar a patrística, nos encorajando a repensar o fazer pelo fazer são sinais que evidenciam esse movimento discreto mas firme do Espírito de toda a consolação que nos está reconduzindo a coerência.

É daqui que temos de continuar. Temos uma teologia para desenvolver, precisamos, sob essa nova ótica, repensar a teologia sistemática e a identidade protestante; temos uma espiritualidade para retomar, a espiritualidade do Cordeiro; temos uma igreja para edificar, de modo que, pelo menos nela, todas as raças desapareçam dando lugar à única raça que Deus criou, a raça humana, onde todos sejam gente como gente tem de ser, à imagem de Jesus de Nazaré; temos um país para influenciar, temos profecia a proferir (caso das novas tribos). Precisamos refletir, a partir dessa compreensão teológica, sobre o labor político e partidário; sobre economia; sobre genética; sobre bioengenharia (falar dos transgênicos); sobre a globalização, sobre a chamada pós-modernidade, sobre a nova sexualidade, sobre a fermentação religiosa, sobre o desafio do islã, sobre formas de fazer entendida a mensagem da cruz, num mundo em mutação; sobre a questão agrária e o meio ambiente; sobre a urbanização na América Latina; sobre a relação da igreja com o estado. Temos de nos encontrar mais, trabalhar mais juntos, abrir o círculo para que novos não só sejam atraídos, como já o estão sendo, mas, para que se sintam bem vindos e em casa. Temos um reino para viver e para manifestar. E não estamos sós: o Senhor Jesus está onde sempre esteve, reinando sobre sua Igreja e sobre todo o universo; e o Espírito Santo está aqui, pairando sobre o caos, soprando vida, levando a Igreja que está no Brasil a um avivamento que ainda não conheceu, o avivamento que chama à história o clamor de Jesus, retratado por Lucas: "Bem aventurados os pobres porque deles é o Reino de Deus".

Do Portal Missão Integral - www.ariovaldoramos.com.br
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O EVANGELHO INTEGRAL DO REINO

De vez em quando é bom perguntar: O que é o Evangelho? Claro que não precisamos fazer essa pergunta como quem tem dúvida – o Evangelho não muda. Mas o problema é que nós mudamos e com o tempo pode mudar também a nossa maneira de entendermos a Bíblia. Talvez por isso Jesus vivia a nos lembrar que temos um problema de vista e de ouvido. Então acho que vale a pena perguntar: o que entendemos por Evangelho?Quem acredita no quê? Para muitos, a resposta chega bem rápida: Evangelho significa perdão de pecados, a vinda, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo para que tenham vida eterna os que disseram "sim" à proposta dele. 

Para outros, ligados às tradições principais, a resposta é: Jesus e seu reino. Menos interessados na historicidade de Cristo, esses irmãos costumam dizer que Jesus veio estabelecer um tipo diferente de ordem social caracterizada por justiça, paz e reconciliação. Existem também os da tradição pentecostal e carismática. Para estes a resposta é ainda mais diferente: Jesus veio para que conhecêssemos Cristo e seu poder em nossa vida cotidiana. Não precisamos mais ser escravos de nossos temores, de nossos vícios, de nosso íntimo sofrimento.Qual o problema?Ron Sider insiste em afirmar que, se realmente desejamos uma compreensão bíblica do Evangelho, nossa definição precisa refletir o tipo de coisas que Jesus tinha em vista quando falava acerca do Evangelho. Ron observa que "Jesus, praticamente todas as vezes em que falou do Evangelho, também referiu-se ao Reino de Deus." O Reino de Deus foi o assunto do primeiro sermão de Cristo (Marcos 1:14) a única coisa que Jesus chamava de evangelho (Mateus 4:23) e o tema por ele enfocado quando ministrou aos seus discípulos nos seus últimos quarenta dias sobre a Terra (Atos 1:3). Jesus dizia que no Reino reside a chave da compreensão de seu ensinamento (Lucas 8:10). No Sermão da Montanha, ele afirma que o Reino de Deus é a primeira coisa que deveríamos procurar, e que tudo mais viria na seqüência (Mateus 6:33). A vinda do Reino é a primeira súplica a ser feita na prece que ele nos ensinou (Mateus 6:10). Lucas fecha o livro de Atos nos dizendo que "Paulo, ousadamente e sem empecilho, pregou o Reino de Deus e ensinou acerca do Senhor Jesus Cristo (Atos 28:31). Jesus chegou a dizer que “este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24:14). Nenhuma parte do Evangelho Integral, separadamente, iguala-se o Evangelho em sua integridade. Se Jesus associa ao Evangelho a idéia do Reino de Deus, devemos fazer o mesmo. Isso coloca em questão todas as três caricaturas que eu apresento no início, carregando um pouco no traço, admito. O Evangelho como reino é perdão de pecados, e também apelo a uma ordem social diferente, sobre ser ao mesmo tempo uma questão de poder espiritual. Mas antes que eu prossiga no desenvolvimento desse tema, há uma observação que eu gostaria de acrescentar acerca do Reino de Deus.A pessoa e o reinoE. Stanley Jones, o missionário enviado à Índia que moldou a missiologia de Lesslie Newbigin, insistia que não devemos nunca separar da pessoa de Cristo do Reino de Deus. Por quê? Porque Jesus é a incorporação do Reino de Deus. Aqui a melhor informação que nos chega é a de que o Reino de Deus não é um conceito teológico, mas um nome com um rosto humano. Melhor que isso: essa pessoa veio e viveu entre nós, “tentada de todas as maneiras, assim como somos” (Hebreus 4:15). A tese de Jones é de que o Reino de Deus de fato se aproximou, mas o fez na forma de uma pessoa. “Jesus é o Reino de Deus, calçando sandálias e saindo a caminhar”, disse ele.Rumo a uma compreensão holísticaDe que jeito então poderíamos associar numa mesma reflexão a pessoa de Jesus e o Reino de Deus? Que tipo de moldura evitaria a insuficiência das caricaturas que eu pintei anteriormente? Quer-me parecer que o evangelho de Marcos nos fornece algumas pistas importantes, no tocante ao chamamento dos discípulos. Marcos nos informa que Jesus “escolheu doze homens - aos quais denominou apóstolos -, para que permanecessem ao seu lado, sendo depois por ele mesmo enviados a outras partes, a fim de que pregassem e tivessem autoridade de expulsar demônios” (Marcos 3:14-l5). Chegado o momento da partida, estando já os apóstolos preparados para o seu primeiro solo evangelístico, Marcos nos relata que “eles foram e pregaram exortando o povo ao arrependimento. Expulsaram então muitos demônios, ungiram com óleo a muitos enfermos e os curaram” (Marcos 6:12-13). O pessoal envolvido com missões aprende depressa a atuar na área de pregação, cura e exorcismo. Também queremos partir em missão e fazer a mesma coisa. O que fazemos é moldado por nossa tradição cristã. O evangélico, profundamente interessado na verdade da Boa Nova, inclina-se mais para a pregação, para o evangelho como palavra. Os interessados na questão social, chocados com o desprezo pela justiça notório em tantos crentes, passam rapidamente para o lado da cura e da prática de boas obras. Os pentecostais, preocupados com a disposição com que tanto os evangélicos como os adeptos do credo principal se agarram à convicção de que a partilha dos dons espirituais se esgotou no primeiro século de nossa era, se voltam para o exorcismo, ou seja, para o evangelho como sinal. As duas narrativas apostólicas registradas no livro de Marcos sugerem que todos estão certos e errados ao mesmo tempo. Para Jesus, o evangelho está vinculado ao Reino de Deus, que se estende a todos os domínios da vida. O Evangelho integral do Cristo vivo é evangelho como palavra, evangelho como obra e evangelho como sinal. Mas há mais.Quebrado e PerdidoKwame Bediako, amigo e teólogo em Gana, sentou-se ao meu lado uma tarde, em Acra, e disse: “Vocês, ocidentais, cometem uma tolice. Acham que, dissecando um cão e estudando cada parte separadamente, podem chegar a uma compreensão exata do que é ele. O que é pior ainda, às vezes parecem acreditar que, remontando o animal, recolocando cada parte em seu lugar, tê-lo-ão novamente vivo. Mas não é verdade. O que vocês podem conseguir fazendo isso é um cão morto. Quando se puseram a dissecá-lo, vocês perderam de vista a parte mais importante: o fato de que um cão é um ser vivo!” Os seres vivos deixam de existir quando os esquartejamos. Quando separamos Jesus do Reino, a vida do Evangelho se perde e assim reduzimos o Reino a uma ideologia. Eis a opinião de Jones: quando separamos o evangelho como obra do evangelho como palavra, ou do evangelho como sinal, a vida e a verdade do Evangelho também nos escapam. Por quê? Nenhum aspecto do Evangelho integral, separadamente, iguala o Evangelho na sua integridade. As palavras conservam em torno de si um halo de ambigüidade enquanto o sentido de nossos próprios termos não é explicitado pela ação. Afinal de contas, na América, quatro em cada cinco pessoas se dizem cristãs. Mas só quando realmente agem como tais é que temos certeza do que querem dizer. Também as ações conservam esse halo de ambigüidade em torno de si, enquanto as palavras não identificam o motivo e o sentido que se escondem por trás delas. Os budistas e ateus de bom caráter podem trabalhar pela justiça e empunhar a bandeira do ambientalismo. Só as palavras explicam que buscamos a justiça e o bem-estar do ambiente porque seguimos um Senhor que exige isso de nós. E os sinais manifestam a mesma ambigüidade. O diabo também forja os seus milagres. Palavras, obras (ações) e sinais, tudo isso deve operar em conjunto como mensagem viva, apontando na direção de um Senhor vivo. É por isso que uma compreensão holística do Evangelho, inseparável da compreensão do Reino, é de importância tão fundamental. Mas há mais ainda.Unindo o ser e o fazerLembra-se da importância de nunca separar a pessoa de Jesus da idéia do Reino de Deus? Essa é a parte mais importante deste diálogo. Quando citei Marcos, a propósito da convocação dos apóstolos por Jesus, você percebeu a razão da chamada, as palavras que eu saltei tão depressa para entrar logo no comentário do fazer evangélico? Jesus disse que ele convocou os discípulos para que pudessem estar com ele. Estar com ele precede o exorcismo, a pregação, a cura. O Reino de Deus é um convite a uma forma de relacionamento, não a um programa, nem a uma ideologia indiferentemente de ser o programa evangelismo, ação social ou guerra espiritual. Somos convidados a estar com o Cristo vivo. Essa é a melhor notícia que há. Cristo provê ao sustento de nosso ser antes de pedir que obedeçamos fazendo. A dicotomia de ser e fazer não se encontra no Evangelho. Nem há de ser de outra maneira. Não podemos fazer o que não somos. Ser é sempre condição prévia do fazer. Nenhuma evangelista será usada pelo Espírito se ela não estiver viva em Cristo. Nenhum ativista social pode amar os famintos de amor a menos que esteja sintonizado com aquele que é Amor para nós. Nenhuma curadora ou exorcista pode proferir o nome dAquele que ela não conhece e de cujo poder nunca experimentou.O evangelho do ReinoA imagem da mensagem evangélica como uma pirâmide me parece valiosa. O topo da pirâmide é estar com Jesus, viver em e com o Senhor vivo. Essa relação confere vida a tudo que se encontra embaixo. Cada uma das quinas da pirâmide é uma dimensão do evangelho: a pregação, ou evangelho como palavra, a cura, ou evangelho como obra, o exorcismo, ou evangelho como sinal. O evangelho-como-palavra compreende ensino, pregação, o fazer teologia. Evangelho-como-obra significa trabalhar pelo bem-estar físico, social e psicológico do mundo que Deus criou. Evangelho como sinal significa orar para que haja sinais e maravilhas, essas coisas que só Deus pode fazer; significa também a igreja servindo como sinal vivo de um reino que já é chegado, mas que ainda não chegou completamente. Se despedaçarmos a pirâmide, a soma dos seus fragmentos não será mais uma pirâmide, evidentemente, assim como um cão dissecado não é mais um cão. Para que o evangelho seja o Evangelho, hão de estar presentes ao mesmo tempo todos os quatro aspectos assinalados. São inseparáveis. A metáfora da pirâmide também funciona de outro modo. Você pode destacar o aspecto do Evangelho (qualquer deles) mais diretamente voltado para as necessidades da pessoa a quem você dá seu testemunho. Se essa pessoa sofre de pobreza do ser, você pode oferecer-lhe vida com o Cristo vivo. Se a pessoa tem fome da verdade, o melhor a oferecer-lhe pode ser a palavra. Se ela padece é de fome mesmo, de injustiça, deveríamos começar com o tipo de ação social que mais rápida e eficientemente lhe satisfaça a necessidade. Se a pessoa tem medo de espíritos, ou se sente tão impotente, que desista de tudo, então o ponto de partida mais adequado será, provavelmente, o poder de Deus sobre tais espíritos. Assim o Evangelho sempre começa onde se encontram as pessoas. O único pecado nesse caso é ficar só nisso. Embora o Evangelho comece onde estão as pessoas, ele sempre tem algo mais a dizer. Todo mundo, não importa por onde comece sua jornada evangélica, está sujeito a dar de frente com o Evangelho na sua inteireza. Todos nós precisamos conhecer o Jesus que é palavra, ação (obra) e sinal. O Cristo que encarna o Reino e caminha de sandálias entre nós.

(Por Bryant MyersTradução: José Gabriel Said)
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Lançamento do Projeto Jovem Cidade

Com o lema " A Vida não é uma droga!", será lançada a segunda etapa do Projeto Jovem Cidade, em Mata de São João. O projeto é desenvolvido pelo Instituto Carvalhos de Justiça, com apoio da Rede EPJ - Evangélicos pela Justiça. Na segunda etapa, que prevê a formação de jovens na temática da prevenção ao uso de drogas e valorização da vida, o projeto terá recursos da CESE que doará 50% do orçamento total, a partir de uma parceria que inclui também o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mata de São João.

O lançamento do projeto será no próximo sábado, dia 23/07, às 19 horas, na Universidade de Mata de São João (próximo ao colégio CENOSEL e ao Posto Sauípe). No momento serão abertas as inscrições gratuitas para o "Seminário A Vida não é uma droga!".
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